ACERVOS: Povos indígenas - história, costumes e diversidade cultural

A diversidade cultural das diferentes etnias indígenas, as abordagens e narrativas em torno de seus costumes e de sua história, bem como a conscientização em torno da importância da preservação desse legado e da necessária valorização de sua expressão atual, são questões centrais para alguns museus brasileiros e marcam presença em diversos outros.

O Museu Rondon de Etnologia e Arqueologia da Universidade Federal do Mato Grosso é um espaço inteiramente dedicado à preservação da história e da diversidade cultural dos povos indígenas. Inaugurado em janeiro de 1973, sua exposição de longa duração inclui artefatos utilizados em rituais sagrados, objetos de uso cotidiano, indumentárias, entre outros. Seu acervo, com mais de mil itens, foi reunido a partir da colaboração de várias etnias indígenas e de doações feitas por pesquisadores e colecionadores particulares.

Seguindo a mesma proposta, o Memorial dos Povos Indígenas, em Brasília, foi construído em 1987. O edifício em espiral, projetado por Oscar Niemeyer, faz alusão à aldeia dos índios Yanomami. Caracteriza-se por ser um espaço vivo, cujas atividades – como as visitas guiadas, festas e oficinas – procuram trazer a cultura indígena, de forma dinâmica e presente, para dentro da sociedade brasileira. De seu acervo, destaca-se a coleção de 382 peças doadas pelos antropólogos Darcy e Bertha Ribeiro.

Criado em 1953 – sendo, portanto, mais antigo que os dois espaços anteriormente mencionados –, o Museu do Índio (Rio de Janeiro) da Fundação Nacional do Índio (Funai) desempenha papel fundamental na preservação do patrimônio cultural dos povos indígenas. De valor inestimável, seu acervo abrange mais de 15 mil peças etnográficas. O museu ainda é o responsável pelo tratamento e preservação de um conjunto amplo e diversificado de material textual e audiovisual relacionado aos povos indígenas. Na mesma esteira está o Museu do Índio de Manaus, fundado em 1952, que traz em seu acervo cerca de 3 mil peças provenientes das tribos indígenas do Alto Rio Negro.

A coleção etnográfica do médico e sanitarista Noel Nutels (1913-1973), responsável por um trabalho pioneiro com os povos indígenas do Xingu, bem como o acervo do antigo Museu de Antropologia (1961-1978) podem ser visitados, respectivamente, no Museu do Homem do Norte (Manaus) e no Museu do Homem do Nordeste (Recife).

No campo dos acervos audiovisuais, destaca-se a notável coleção do naturalista tcheco Vladimir Kozák (1897-1979) sob a guarda do Museu Paranaense (Curitiba). Incluindo fotografias, filmagens e documentos diversos – além de aquarelas, pinturas e desenhos – o acervo de Vladimir Kozák, que viveu em Curitiba entre 1928 e 1979, reúne um conjunto de informações, em diferentes registros, que retratam os grupos indígenas do Paraná e do Brasil. Não menos notáveis são as coleções fotográficas Gilberto Ferrez e Albert Frisch do Instituto Moreira Salles (Rio de Janeiro). As fotografias e os negativos em vidro de Marc Ferrez (1843-1923), principal fotógrafo brasileiro do século XIX, constituem a parte mais volumosa da coleção Gilberto Ferrez (1908-2000), neto de Marc. Do conjunto de seu trabalho, destacamos aqui as primeiras fotos feitas dos índios bororo, e fotografias de tribos indígenas do Mato Grosso e de Goiás. Já a Coleção Albert Frisch (1840-c.1905) guarda os primeiros registros fotográficos dos índios brasileiros da região amazônica, feitos em 1867, quando o fotógrafo acompanhou a expedição ao Alto Amazonas coordenada pelo desenhista, engenheiro e igualmente fotógrafo alemão Franz Keller (1835-1890).

Não podemos deixar de lembrar da instalação Etnias – Do Primeiro e Sempre Brasil, um conjunto extraordinário de painéis de argila, bronze e alumínio realizados pela artista Maria Bonomi e expostos no túnel principal de acesso ao Memorial da América Latina (São Paulo). Igualmente singular, o projeto CELIN (Centro de Documentação em Línguas Indígenas) do Museu Nacional da UFRJ (Rio de Janeiro) guarda um conjunto raro de materiais visuais, textuais e sonoros destinados ao estudo das línguas indígenas e das variedades do português faladas no Brasil.

Outros museus brasileiros possuem acervos destacáveis: coleções plurais de artefatos indígenas podem ser vistas no Museu da Cultura Cearense (Fortaleza), no Museu do Ceará (Fortaleza) e no Museu Histórico Nacional (Rio de Janeiro). Por sua vez, objetos que valorizam sua riqueza cultural estão em destaque no Museu Câmara Cascudo (Natal), no Museu do Estado de Pernambuco (Recife), no Museu Amazônico (Manaus) e no Museu Júlio de Castilhos (Porto Alegre), que dentre as coleções de seu acervo guarda objetos relacionado à cultura indígena do Rio Grande do Sul em sua coleção de Etnologia.

Como vemos, os museus são muitos. Seus acervos, dotados de uma considerável multiplicidade de objetos e registros, os tornam espaços únicos. Basta escolher o primeiro e começar. Seguiremos juntos!